28 de janeiro de 2012
La poupée autre fille
A minha boneca é de outra menina. Sim, a minha não é minha. É minha porque eu tomei pro meu peito que era, mas nem ele se engana mais... A minha boneca não é minha boneca. Pode estar em minha estante, pode dormir no meu abraço, pode me dizer que só pensa em mim, mas ela não é minha e seu botão vermelho em forma de coração não é meu. Seu cabelo de lã preta não é perfumado para me agradar. Seus olhos de botão amarelo não olham os meus. Seu sorriso eterno também não é pra mim, tampouco foi costurado pensando em mim. A minha boneca não é minha, ela está na minha estante, mas a dona da minha boneca é outra menina e como criança que tem brinquedo roubado eu choro. Choro sempre que me lembro da sua voz, sempre que sinto seu perfume, sempre que busco seu toque frio. Eu choro. Choro mesmo. Choro porque sei que não a possuo, choro porque gosto dela, choro porque ela é de outra menina, choro porque mente dizendo estar onde deveria estar, choro porque mesmo sabendo que não sente nada eu não consigo esquecê-la...
14 de dezembro de 2011
L'opposition
"Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirig"
Como eu poderia prever tal coisa? Minha amada era sim minha grande adversária. Com golpes fatais me golpeava e todas as noites me fazia sangrar e aos prantos chamar por seu nome implorando por clemência e perdão de atos que não estava certa de ter cometido. Através do universo ecoavam os meus gritos e pelo seu peito a minha agonia. Parecia sentir prazer com aquilo. Parecia realmente se sentir bem com tais atos de covarde crueldade como se meu desespero alimentasse terrível leoa dentro de si. Por um tempo, doeu em mim e me perguntava quando iria parar tal sangue escorrendo em meu rosto; então doeu nela e em mim, o sangue escorria pela minha pele e espirrava na dela; foi ai que como fera acuada me dei a liberdade de fugir, de correr e como um católico pecador, ela chicoteou-se até sentir o corpo sangrar. Um bilhete me deixou e disse: "Dói bem mais em mim que em você agora..." e então a terceira lei de Newton foi aplicada. Quando dois titãs se chocam, um caí, mas sempre derruba o outro com a força gerada por tal impacto.
28 de novembro de 2011
Ma fille ...
Sendo honesta? Até hoje eu não sei porque gosto tanto de você. Eu simplesmente gosto, sabe? Só gosto… Não sei se há uma explicação para isso e mesmo que exista uma, não sei se quero saber qual é. Tudo está bem assim. Eu gosto de você e entendo isso mesmo sem compreender as razões. Só gosto… Gosto do seu cabelo quando o vento o bagunça, gosto de te ver tentando arrumar antes que eu o veja desarrumado, gosto de como fica corada quando digo que fica ótima descabelada e gosto mais ainda do “idiota” risonho que diz fingindo estar brava. Gosto dos seus olhos castanhos me olhando, gosto do brilho que os meus pretos tem quando os vejo refletidos nos seus, gosto de como os seus brilham ao me ver, gosto de como sorri quando vê que os meus também brilham ao te ver, gosto de como só os seus olhos tem essa cor tão bonita. Gosto do seu nariz arrebitado de arrogância e cheio de ar de mandona, gosto de quando o enfia nos livros e só o tira de lá para retrucar minhas maluquices, gosto desses seus olhos querendo explicar algo aos meus que relutam recusando a explicação, gosto do seu nariz se torcendo em raiva por isso e acabo torcendo o meu nas risadas para seu contragosto, gosto quando se rende e começa a rir também das minhas loucuras. Gosto de como dorme, gosto de te ver dormir, gosto de como finge não saber que perco a noite te assistindo sonhar, gosto de como as estrelas vem todas para a janela se juntar a mim para observá-la mexer-se na cama acordando bem aos poucos, gosto de como o sol te chama e você volta pro mundo real, gosto de como me olha com cara de quem queria dormir mais, gosto das meias que você perde entre os lençóis durante a noite. Gosto de você. Gosto, só gosto…
1 de outubro de 2011
Sourires, larmes, douleur ...
Pegou a minha mão e tocou com ela o seu rosto, olhou-me fundo nos olhos e sorriu como quem havia estado infeliz por muito tempo e por um lapso de segundo eu achei que o era, mas por que era? Acariciei seu rosto e a vi cerrar seus olhos cor de terra como se estivesse em rendição, a bochecha morena tingir de rosa, os lábios já rosados morder. Minha tão querida amante... Minha tão triste mulher. Abraçava-me com tanta saudade que eu sequer acreditava que tal força herculana era mesmo dos seus magros braços, parecia não me ver há anos, parecida ter dado fim à uma longa espera que se havia estendido por milênios, entretanto, era uma pena que tal força só lhe fosse presente nos braços uma vez que suas pernas tremiam e falhavam, derrubando-a em meus braços trazendo-a para meu abraço. Ria feito louca e chorava como uma velha desesperada, não sabia se sorria também ou se me preocupava até ver tão genuíno sorriso estampado em seu rosto. Não sabia já há quanto tempo não a via sorrir com tanta sinceridade nos lábios, não sabia mais dizer quanto tempo fazia que eu não via tamanha simplicidade e pureza em um mero sorriso. Era tão verdadeiro que me arrancava um sorriso de igual felicidade e sinceridade, de tamanha felicidade e simples pureza, simples alegria. Meu coração saltava e podia ouvir o seu dançar junto do meu, ambos frenéticos, loucos, agitados, sedentos pelo outro. Era tão linda aquela alegria no seu sorriso e o brilho estampado nos seus olhos... Era tão bom saber que aquela alegria era por mim e que o tempo não a havia matado ainda, que eu ainda a fazia sorrir e que ela ainda era capaz de perdoar minha ausência aguardando-me cheia de mimos. Era tão bonito de ver como gostava dela e ela de mim... Mas ah, que tristeza. Acordei.
30 de setembro de 2011
Rosée
Me peguei pensando em você de novo. Pergunto-me o motivo dessa frequência em me lembrar de você. Eu não havia te esquecido? Bom, eu amo menos acreditei que o tivesse feito. Novamente, estou me lembrando de como foi nosso adeus e sabe, não foi um adeus, não foi sequer um "tchau" ou um "até mais". Foi só silêncio. Me pergunto todos os dias porque não quis me dizer adeus, mas porque não voltou também se não queria ter ido. Eu sei que o que encontrou não era o que queria e nem o que você quer agora. É vazio. É falso e é até mesmo feio. Talvez tenha sido infeliz comigo. Certo, não talvez, você foi infeliz comigo, mas o que quer dizer essa tal felicidade, não é? Eu te amava, eu te amo. E você sempre me amou de volta, talvez até mesmo mais do que eu te amei. Eu te machuquei, eu vejo isso agora, mas você não havia me machucado também? Eram gritos, brigas, ofensas e uma agressividade de tanta selvageria que a lembrança me assusta até hoje... Eu era um monstro, não era? Eu sei que era. Sei que ainda o sou. Um monstro, mas sabe? Acredito que é você quem me deixe assim. Você controla e enlouquece a minha mente como se eu não conseguisse mais pensar estando perto de você. É tanto ciúme, é tanto ódio, tanto tudo. Eu só quis o tempo todo te trazer perto, te colocar do meu lado e não deixar que mais ninguém visse o quão bonito era esse tesouro que eu tinha e no meu egoísmo, eu perdi você. Eu amo você. Eu sempre amei. E sempre amei só você. Cometi pequenos grandes erros, menti, traí, iludi, gritei, acho que até bati, mas posso dizer sem erro que ninguém nunca te amaria como eu amo você, como amei, como amarei. Não importa quanto tempo passe, quem apareça na minha vida, eu sei com certeza de que eu ainda me lembrarei do seu sorriso daqui há muitos anos, de cada motivo que você me deu para ficar feliz, de cada beijo e especialmente de cada lágrima enquanto me jurava o amor que eu já sabia ser real. Há dias em que sinto tanto sua falta que sinto que vou morrer de saudades, há dias em que você passa reto por mim e eu quero chorar, há dias em que me olha com aquele olhar de fúria e quero poder te abraçar e te pedir perdão e há os dias em que eu desejo acordar como costumava acordar no seu abraço no meio de uma manhã vazia, escondidas no quarto matando a aula. Há dias em que eu queria tanto que estivesse aqui que quero simplesmente morrer por não ter mais, por ter tido e ter te deixado ir sem nem mesmo ter tentado trazer de volta. Eu te amo, eu sempre amei, sempre irei amar. Eu não te esqueci, nunca esqueci e jamais esquecerei. Você não é simplesmente metade de mim, não é simplesmente a outra metade que me completa. Você é tudo.
15 de setembro de 2011
Ma chérie
"Quem é ela?" me perguntou um velho amigo, "Que faz ela?" perguntou-me o outro. Pensei e pensei, eu sabia a resposta, mas como simplificá-la? Ela é como um clarão no meio da noite, é como uma luz que brilha e entontece qualquer mente, é como um brilho cuja luz emanada te ofusca a visão, é como clareza que te cega ao ver. Durante o dia de sol, durante a noite escura, durante a manhã chuvosa, durante a tarde vermelha, você brilha, você inebria minha alma, povoa meus pensamentos, inspira minha escrita e não somente à ela, você inspira e fascina tudo aquilo que se faz presente em mim, desde o mais simples sorriso ou mais salgada lágrima até as mais profundas e complexas filosofias. Engraçado é como ela, de uma forma ou de outra, contradiz tudo que digo. Bonito, bonito é como tenta desarmar meus argumentos com seu pessimismo e desiste do mesmo em alguns instantes. Mal sabe que tremo só de pensar em seus contra argumentos, que sempre me paralisam e emudecem. Não sei ao certo o que é, se é ela, se é seu sorriso, se é o brilho dos seus olhos ou se é novamente o plano sentimental interferindo no físico. Mas quem é ela? Eu sempre acreditei que seu nome fosse esse, mas é aquele outro. Ah, brilho, como é lindo o seu brilho e sua luz. Sua presença desafia o tempo e o espaço, tudo desaparece com sua presença e o tempo voa na velocidade da luz, na sua ausência um dia se torna um século e o mundo parece pesado. Então, me perguntaram dela, me perguntaram quem era ela, quem era ela aquela que tanto me fazia sorrir. Eu lhes disse "Ela é criatura noturna. Ela é a contradição das minhas ideias e sou a contradição da mente dela. Ela é de quem gosto, e eu sou dela".
30 de agosto de 2011
Lait renversé
De poeira ele havia se sujado ao cair no chão e pela primeira vez não havia sido enxuto por pano sujo. Branco e doce, era o leite que a mulher amorosa havia preparado para os amorosos filhos e para o amoroso marido. Branco era a cor do ódio destilado dos que lhe seguravam a garganta agora. Doce era o que suas lágrimas não eram, e que grande ironia também eram, ela estava chorando sob o leite derramado pelas mãos brancas para as quais implorava pela sua vida. Branco era a cor de seu vestido rodado, comprado pelas mãos negras do seu amado esposo que a amava tanto, amado esposo que muito distante dali arrancava no chão uma flor branca para enfeitar os cabelos negros da amada esposa de bochechas cor de terra escura assim como os seus bonitos e brilhantes olhos, o amado esposo jamais havia deixado de vê-la como a coisa mais bonita que já havia visto na vida, o amado esposo desde a primeira vez que a vira sabia que a queria como sua amada esposa para toda sua vida. Branco também era a cor dos dentes expostos da amada esposa que agora gritava enquanto o ódio branco lhe tirava algo que antes era só de seu amado esposo, algo tão especial que a amada esposa havia decidido guardar e dar somente ao amado esposo desde a primeira vez que o havia visto colhendo algodão na fazenda de seu senhor. Naquele momento ela só conseguia pensar naqueles algodões brancos, por que o homem branco não era capaz de ser tão gentil como o algodão branco? Logo o amoroso marido chegava, mas que pena, as flores brancas ele deixou cair sujando-as de poeira. Os amorosos filhos também deixaram lágrimas caírem sobre elas assim como a amorosa mãe havia deixado sob o leite. Com os braços negros fortes, o amoroso marido pegou nos braços a esposa e a corda de seu pescoço tirou, deitou-a no chão e colocou as flores sujas em seu cabelo negro enquanto via sua casa de paredes brancas se tornar negra pelas mãos do fogo, fogo servo das mãos brancas regadas do ódio branco que matara sua esposa da cor de terra molhada.
26 de agosto de 2011
Disgracieux
Falava. Eu falava muito. Ela falava demais também, mas nada dizia. Só falava e falava. Falava palavras que mesmo com sentido não adquiriam nada. Era sempre concordância. Nada a completar e tampouco a adicionar. Não havia opinião forte nem fraca, era só opinião. Tudo o que eu dizia debatia sozinha, enfrentar-me ela não sabia, ela só concordava e mesmo em discordância, não teimava. Não tinha gosto de sal, mas também não tinha sabor doce. Nada de muito importante lhe era creditado, nada feito era motivado por força além da mecânica. Era tudo sempre a mesma coisa. Meus beijos sempre eram correspondidos, mas aonde estava a paixão? Ela me beijava e eu também a beijava, mas nada se sentia além do físico. Nada, era tudo maquinado e automático, tudo mecânico e sem fervor. Era linda, mas que graça ela tinha? Sua beleza era superior à de qualquer mortal, mas, novamente, que graça tinha nela? Era tão bonita e mesmo de traços incomuns, ela era comum. Não tinha sabor, não tinha fogo. Sempre era nude, nunca branco, nunca preto e nunca cinza, era só nude. Nada forte, nada destacado. Uma linda cor, mas uma cor tão neutra. Seu chá não era nem amargo e nem doce. Seus movimentos nem rápidos nem lentos. Eram só movimentos. Sua tristeza era a indiferença e seu amor também o era. Ela não tinha nada a acrescentar, era normal e não sabia falar mais do que uma garota normal sabe. Parecia adestrada e alienada. Muito comum. Muito robótica. Que é que ela tinha? Ela tinha gosto neutro, ela era neutra e agia neutro. Ela era como água. Insípida, incolor, inodora. Não tinha forma. Não tinha nada de mais. Ah, eu a amava, mas ela era tão sem graça. Eu a amava, mas perto dela eu era mais vermelho que comum e perto de mim ela era nude demais.
20 de agosto de 2011
Those electric eyes
Bonito era o nascer-do-sol batendo na janela do nosso quarto ultrapassando as cortinas negras, fazendo o corpo pálido de Roxanne esconder-se debaixo das cobertas; vinha sempre junto do vento gelado das manhãs que fazia agora minha branca encolher-se. Cheiro de orvalho, cheiro de grama molhada e cheiro de azul índigo. Seu nariz, arrebitado, beijei e levantei por fim. Uma regata preta combinando com a lingerie de poliéster preta, abri então toda a casa e deixei a manhã tomar conta dela. Baguncei meu cobre cabelo, o nariz torci e por fim bocejei. Coloquei a água pra ferver, fatiei o pão e sobre a mesa a manteiga coloquei. Feito o café, escutei mimosos passos de minha pequena, esquentei então o seu leite, feito isso, servi em sua xícara branca internamente preta que combinava exatamente com a minha preta de interior branco e carregando café preto. Bonitos eram os olhos da minha menina. Eram brilhantes, eram hipnóticos. Eram doces, eram gentis. Sentou-se, a camisola branca de renda contrastava bem com o cabelo castanho-escuro que agora refletia o sol, então, pegou a xícara e sem dizer uma palavra sequer, tingiu o liquido branco e quente com pegajoso âmbar para adoçar ainda mais a bebida já doce. Mas, ah! Os seus olhos! Olhos tão dela, olhos tão meus. São olhos seus, são faróis meus. A canela lancei no café puro, preto continuou, amargo continuou. É mel dela, é café meu. São os seus olhos castanhos, são os meus negros. É o mel dela, é o café meu. É seu beijo adoçando meu amargo, é meu amargo tirando o doce dos seus finos lábios rosados. Bonito mesmo era a forma como ela me completava e me deixava fazer o mesmo.
25 de julho de 2011
Still a little bit delirious
Gosto tanto de vê-la andar. É tão determinada, tão dona de si, tão cheia de arrogância. Vive em seu mundo paralelo cheio de lírica e esquece-te de nós, meros mortais, que desejamos tanto ouvir a tua doce voz. Dona. És assim que a conheço, Dona. Você vem, parece tão destinada a quebrar as linhas invisíveis do tempo, tão destinada a me fazer parar de pintar o quadro presente com as cores do passado. Você vem, vem tanto para bem quanto para mal, mas dos venenos é o seu gosto o melhor. Você se parece muito com uma adega de vinhos, tão cheia de tantos diferentes fracos de tão diferentes cores, mas no fundo, todos tem o mesmo sabor e o mesmo veneno mortal. Te peço, por favor, Dona, não manche este chão com sangue. Mate-me lentamente e sem dor, de forma que eu mal perceba. Consegue sentir minha querida? Os sons estão florescendo em teu corpo esguio de sombra negra. Você é forte. Você parece forte, mas minha adorada, és tão frágil por dentro. É pura poesia, poesia sentimental de alguém que ainda não teve o prazer de sentir de verdade. Você vaga toda noite em cima de minha lápide, mas nunca olhou para minha cova abaixo de ti. Se alguém me pedisse um conselho sobre ti, diria para que se mantivesse orgulhoso, mas como sugerir à outro que mantenha o orgulho quando eu tenho a cabeça totalmente virada por tua causa mulher? Minha vida é tão incompleta, meus anéis de ouro eu vi ruir com a água da chuva, minhas jóias estão amarradas aos meus pés e me fazem afundar mais rápido nas águas profundas que são seus olhos. Mas ah, quanta ironia. Teus olhos são a noite mulher, são tão negros quanto ela e tem o mesmo brilho que todas as estrelas teriam se um dia se reunissem. Olhe para mim, eu quero que me sinta, eu quero que me culpe pelos seus erros, quero que diga com desdém meu nome e grite o quão suja é minha alma. Humilha-me, rasga-me, me enche de pecado e abusa de meu sexo como o cliente da prostituta, seja minha mulher e me faça a sua mulher, venha! Cuspa em minha cara e ofenda-me! Grita! Xinga! Destrói meu nome e destrói meu peito, mas satisfaz meu corpo e alma poeta com suas rimas sádicas e falsamente românticas. Vem, pássaro negro, invade meu quarto e minha cama, deita-te sob meu teto e conta as rachaduras de meu peito comigo. Joga-me na lama e me chama de imunda, de traste, faz de mim tua escrava, faz de mim tua cólera! Tire o resto de luz que ainda tenho. Você não sabe, mas eu vejo que é este jogo que você está jogando comigo. E adoro-o.
24 de julho de 2011
How can anyone feel so wild?
Preto, meu bem. Sua cor é preto. É preto minha adorada, preto é a cor de tua alma. Se esconde com o véu da noite, ampara-te na luz da lua e então acha que ainda não notei que você se esconde é do sentir. Descobre teu rosto e deixa-me ver em teu olhar gelado o quão és grandiosa. Tu me inspiras adorada, talvez até me instigues, talvez até me desafie sem ver a tê-la. Teus olhos são assim, são cor de noite, são negros como tua alma, negros. Estes teus olhos escuros, adorada, ah, estes seus olhos. Eles me hipnotizam, me elevam e me fazem lembrar a forma da lua cheia, mas veja só, são um eclipse. São escuridão rodeada por luz. É impossível ver o luar e senti-lo banhar minha pele sem me lembrar de ti, são tão geladas, você e a lua. Ambas exercem sobre mim um fascínio colossal, sinta-te honrada quando ouso dizer que os teus gracejos me encantam mais do que o brilho da lua, tamanha a vossa majestade minha adorada. Sua forma de gesticular, vossos desejos e ideologias, a tua filosofia e trejeitos, mulher, como poderia eu não te adorar? Como quisera eu ainda ver mais beleza no infinito céu acima de mim, mas teu sorriso me inebria; quando abre os lábios rosados e começa a falar, meu bem, não há nada que roube mais minha atenção que as suas palavras. Vossos passos assim, tão confiantes e tão ousados, são tão cheios de arrogância e ferocidade quanto você é. Mas ah, seus lábios, como eu conseguiria tirá-los da minha cabeça? Teriam eles o gosto de baunilha que o seu aroma tem minha adorada? Seriam de sabor tão complexo quanto vossas palavras? Com vossa inteligência tu me desafias em todos os instintos e com destreza maestral desmonta meus argumentos, mulher, me entontece com tamanha verbalidade e eloquência. Mas oh! Como me devora o desejo repentino de ter ao meu lado, adorada. Não como minha mulher, não em meus braços e não como minha amada. Ah, não, quero-te como lua, adorada. És tão escura e fria quanto a noite, como consegues ser a lua devastando as trevas de minh'alma? Como ilumina tanto minha mente se não tem luz sequer para abastecer à si própria adorada? Em tua falta de rumo, encontro-me e em teus delírios, desejo me fazer presente, desejo me fazer estrela pairando ao lado de vossa grandeza. Amada, seja minha e prometo o céu lhe dar, as respostas dar e os poemas mais pelos recitar. Seja minha musa e minha poetisa e serei eu a vossa maior admiradora, vossa escrava, vosso escuro de onde tirarás força e onde brilharás.
23 de julho de 2011
Je comprends, mon amour
De que cor ele é? Aquele meu coração, anjo. Aquele que roubou de mim. Você tomou de mim aquilo que eu sequer sabia existir, meu anjo. Eu nunca o havia sentido fazer algo mais além de bater, então, os seus olhos cor do mar me fizeram senti-lo sangrar. Você o roubou. Tirou de meu peito com tanta força e rapidez que nem mesmo sua cor eu pude ver minha amada. Numa caixa você o trancou e na estante fez questão de colocar exibindo-o como troféu, exibindo-o da mesma forma que se exibe a galhada do abatido cervo. Mas meu anjo, você nem mesmo lembra de quem é o coração, você nem do meu nome se recorda. Como cinzas no vento eu sumi e desvaneci de sua memória, eu me desfiz para você, mas amada, você esqueceu-se de deixar-me fazer o mesmo. Fugiu assim sem explicação, meu anjo, e levou contigo meu coração, fazendo-se então eterna dona dele e de sua posse ele é hoje, sempre será, até que tu me devolvas meu frágil e fraco coração, que sequer bater dá conta. Se não o quiseres, devolva-me e com a dor viverei em paz. Desapropria-se dele, anjo, deixa ele voltar pro meu peito saudoso. Um dia talvez consigas enxergar, menina, eu sempre entendi porque fostes, eu só esperei que um dia achasse a tal razão poderosa o bastante para fazer-te ficar aqui no encaixe do meu abraço, que é o seu lugar. É o mar o brilho dos seus olhos anjo, é o mar nos seus olhos. É o mar destes teus olhos enfeitando o vosso nome, é o mar dos olhos teus. É maior que o mar que enfeita vosso nome e brilha dos teus olhos, meu amor, é maior que todo este mar a dor que causou ao ir embora. Maior que estes mares, somente é a minha vontade de que voltes com meu partido coração na caixa, disposta a deixá-lo viver em mim, disposta a cuidar dele. É maior que todos esses mares, meu anjo, a saudade que ocupa meu peito no lugar onde antes batia o meu coração, agora trancado em vossa caixa, anjo.
24 de junho de 2011
The way you do
Amor, eu queria que você me amasse como eu te amo. Amor, eu queria que você pensasse em mim todas as horas do dia do jeito que eu penso em você. Amor, eu queria que você se lembrasse de mim quando ouvisse aquelas músicas melosas do rádio do jeito que eu me lembro de você. Amor, eu queria que você soubesse o quanto eu te amo, amor, para que eu pudesse também saber o quanto você me ama. Amor, eu queria te ter amor. Amor, eu queria te ter da mesma forma como você me tem.
17 de junho de 2011
It's only your shadow
Por que eu sinto um vazio tão grande hoje? Por que logo nesta sexta-feira fria eu me lembrei de ti e quis, pela primeira vez, chorar pela falta que você me faz? Por que hoje, depois de tanto tempo? Por que justo nesta hora, eu sinto meu coração ser esmagado por você e pela dor da sua ausência se fazendo presente em mim? Ah, meu anjo, meu doce e amado anjo, como eu poderia resumir a sensação de tristeza em meu peito? Como poderia eu, sendo réis mortal, descrever-te como inundam minh'alma a agonia e o desespero? Seria matemática e te diria em números, mas como contar este crescente infinito? Seria poeta e te faria as mais belas poesias com as mais românticas rimas, mas não há junção de letras, palavras ou rimas que expressem este sentimento que me dilacera. Queria saber falar a tua língua, a língua dos anjos, assim eu talvez conseguisse encontrar algum termo capaz de comportar toda essa dor que sua ausência me causa. Por que você se foi? Para onde foi, afinal? Seria teu sádico Deus te chamando de volta aos céus? É aí que estás? Sentada ao lado do trono dele? Se estiver, rogo aos céus e ao teu misericordioso Senhor que me devolvam você, rogo-lhes que te deixem voltar para mim na vã esperança de que seja sua vontade voltar aos meus braços para sentir o meu calor. Mas como poderias querer-me, não é mesmo? Como poderias desejar voltar à Terra e aos seus pecados onde és somente mulher se aí és o anjo com asas douradas enfeitando o pôr-do-sol? És fuligem cor d'ouro nas nuvens. Ah amada, como? Queria parar de chorar, mas anjo, novamente te pergunto: Como? Dei-me conta de que esqueci-me de como sua voz é, de como os timbres chegam ao meu ouvido; me esqueci de teu cheiro e de seu toque, também sem querer esqueci do seu calor. Lembro-me apenas dos vossos olhos, cor azul tão clara quanto tua atual morada, e de vosso sorriso, ah, sorriso que iluminava mais minhas horas mais sombrias do que o grande e supremo astro lumioso Sol, mais que a encantadora e misteriosa Lua, mais que as gentis e sedutoras Estrelas. Sem sua presença, anjo, eu sucumbo em pecado e em delírios vãos carregados de insanidade, caio em toda minha maleficência e de joelhos eu praguejo aos prantos entregando minha alma e meu corpo ao inferno. Deixo que as densas e eternas trevas daquele que não é nomeado tomem conta do meu externo e aos poucos, deixo que as minhas trevas internas se misturem à trevas dele permitindo que a energia deste encontro emane tamanha escuridão ao ponto de me fundir à todo mal do mundo, queimando minha carne e ossos. Tudo de que preciso é da vossa salvação meu anjo, do vosso amor e do vosso perdão. Por que tu não voltas aqui e me tira do vasto poço sombrio aonde mergulhei e afundei? Amada, anjo, minha amada e meu anjo, és a mulher que eu amo e o anjo que admiro, és meu amor, és minha amada, meu sonho e minha luz perdida. Amo-te como não amaria ninguém mais, mesmo no escuro, amo-te e quero-te como antes, até mais. Meu pranto o Diabo, senhor do inferno irá secar, mas não parar, enquanto tu não estiveres aqui para findá-lo. Meu corpo o fogo do inferno também vai consumir e transformar em carvão até que chegues para acabar com isso. Me entrego ao mal e em meu desespero, deixo-te partir novamente na esperança de que voltes um dia e me tire daqui, absolvendo então os meus pecados e salvando-me da maldição em que me transformei.
5 de junho de 2011
I remember shooting stars
Amar você, como eu poderia definir isso? É uma dor. É loucura, é delírio. Você é um copo de veneno, o mais doce e fatal que existe. Eu sinto seu cheiro de madeira molhada no vento, o negro de seu cabelo me envolve durante a noite como um grande manto, a frieza de sua voz e pele me ataca durante a ventania, seu toque de seda está gravado em meu tato e seu sabor de tabaco vive misturado ao de café nos meus lábios. Amor, por que se aproxima tanto de mim? Não consegues assimilar o perigo em estar assim tão perto de mim? És a musa mor de meus delírios de amor, sorriso maldoso que infesta meus sonhos com sinfonia cruel. Estrelas cadentes infestam o céu negro assim como o brilho vive em seus olhos cor de ébano. Eu quero um pôr-do-sol com você para poder me lembrar sempre do seu sorriso sádico ao ver o fim da luz , e como sei que o céu você adora, minha amada, eu tiraria do céu todas as estrelas que quisesse e com elas amor, eu te faria o mais bonito colar para combinar com a lua acima de ti. Eu não sei o que fazer com esse sentimento, e não sei o que fazer para sair de tamanha prisão de tristeza. Por que não vem e aproveita o sereno ao meu lado? Eu quero encarar seus olhos, quero ver seu negro encarar o meu negro. Eu sou fogo que pode se aproximar de tudo e você é a lua, assim distante de mim. Eu sou o fogo instável e louco, você é a imóvel e imutável lua. Por que Ela quis te tirar de mim minha amada musa? Toque-me, esteja ao meu lado, venha para mim. O que ela poderia ter que eu não possa ter melhor? O lirismo, a poesia, a dor estão ao meu lado, e o que ela tem além de ignorância? Ela não te merece como eu te desejo. Essa valsa que dançam, deveria ser o macabro tango da meia-noite ao meu lado. Deixe que meus dedos toquem seu pescoço, deixe que desçam pelo seu ombro e colo, deixe-me tê-la, deixe-me ver o tecido negro descer pela tua pele pálida sob o luar. Deixe que meus lábios cor de sangue toquem os seus gelados, deixe que eu sinta outra vez o gosto que tanto veneno tem, deixe-me cometer suicido sorrindo, deixe-me morrer ao seu lado. Deixa que eu seja tua e deixe que eu me iluda pensando que és minha também.
4 de junho de 2011
I'm already torn
Experiência própria, o amor é o maior dos males do mundo, é a junção de todos os pecados, a motivação de todos os atos de mal, razão de todo sentimento ruim. O amor é a raiz de toda dor, é o nutriente que a alimenta, as folhas que lhe dão vida, os frutos que ao cair espalham as sementes, as flores cujo polém infecta outros e o tronco que as sustenta. O amor é o ser e não simplesmente isso, é o não ser também. A dor é como fogo e o amor é o oxigênio que o inflama, que o alimenta e o torna cada vez maior fazendo-o queimar tudo ao redor. Amor é dor e não há nada que rime melhor com um do que o outro. Amor, dor, ardor, tudo isso é uma só coisa. Tudo é um mal. O amor é tão sádico que nos dá sempre uma prova da felicidade que ele pode nos trazer, só uma migalha do delicioso bolo que é a alegria amorosa, e então, nos mostra sua outra face, a infelicidade e nos lança pedaços do não tão delicioso bolo composto de dor e sofrimento de uma alma. O amor, é, o amor. Ele me tirou a minha vida, me tirou tudo. Entrou em meu peito e me destruiu. O que era uma enorme e viva árvore se tornou nada mais do que carvão, carvão que alimenta o fogo, que é a dor. Fogo que cisma em queimar tantas vezes a mesma cinza, torturando um cadáver e pisando em seu corpo fétido. O amor foi meu maior erro, meu maior pecado e agora pago o preço por tê-lo cometido. O amor se tornou a minha maior sina, é a minha maior dor. A culpa? A culpa é sua minha amada, que se foi, mas permaneceu dentro de mim.
17 de maio de 2011
Shadows linger
Você se lembra de quando pegou minhas mãos, me olhou fundo nos olhos e prometeu que me amaria para sempre e eu prometi o mesmo para você? O que aconteceu àquela promessa? Por que só eu a estou cumprindo? Aonde está você? Cada dia mais eu choro, cada dia mais eu caio de joelhos implorando que volte, cada dia mais eu sinto sua falta. Sua presença imaterial consegue ser tão mais forte que a material, que me arrepia, me tortura. Por que faz isso? Por que simplesmente não vai embora? Todos dias eu choro, eu me debulho em lágrimas, eu me machuco. Eu me corto para saber se ainda sinto, pra ter certeza de que ainda estou viva e não morta em uma prisão de punição eterna maquinada pelo demônio. Mas o que é o demônio afinal? Ele é só mais um. Ele é exatamente como eu. Eu sou um demônio. Eu sou o maior demônio aqui. Você? Você é uma bruxa. Você procurou por mim, procurou pela minha força, pelo meu poder e depois de arrancar tudo de mim, você partiu. Me deixou queimar em minhas próprias brasas enquanto fugia entre a fumaça negra ao meu redor. Por que te esconde em tanto gelo? Por que se sabe que meu fogo ainda pode derretê-lo? Claro que ao se tornar água ele apagaria meu fogo, mas ainda sim, se tornaria fumaça ao fazê-lo e nós duas estaríamos destruídas. É isso que você quer? Me ver apagar? Eu era o mar, tão falso, tão poderoso e provedor de vida, escondia coisas e mentia, estava morta, mas eu ainda tinha você. E agora? Eu sou fogo. Somente fogo. Você era o céu com seus olhos cor de manhã clara, e agora? É só gelo. Eu menti à ela. Eu menti à mim mesma. Eu te escondi dela e agora pago por tamanho pecado, por tamanha ambição em ter dois titãs. Ao querer ser dividida entre as duas eu perdi você. Eu me tornei fogo. Insana, transparente, furiosa e faminta. Eu preciso de você. Eu trai ela, eu menti pra ela mas só à ela. Para ninguém mais. Ela foi a única traída, a única enganada, e por mais que saiba disso, ela não sabe nem da metade do que eu fiz. E quando eu jurei à ela que não estava ao seu lado, meu amor, eu menti. Ela não sabia, mas eu menti. Você era a única em meu coração e negar isso à ela tantas vezes me matava por dentro. Mas eu sabia o que estava fazendo. Eu trai à mim mesma. Eu me tornei fogo. Me tornei luxúria. Me tornei demônio. Eu preciso sair do escuro do qual sou única e negra luz. Volte e ilumine o meu dia. Volte, somente volte, Anjo.
25 de abril de 2011
Lebedinoye Ozero
Um pé aqui e outro ali, um salto e um pouso. Estava linda, estupidamente perfeita; tão encantadora e leve, suave, em cada passo. Ainda não a havia visto dançar, era a primeira vez que o fazia desde nossa união, admiti meu choque com tanto talento, admiti ter esperado bem menos dela, tê-la subjugado e achado que era incapacitada de fazer algo tão bonito. Até então eu não havia compreendido o tamanho de todo o seu espetáculo, por mais imenso e lotado que fosse aquele teatro, esperava algo pequeno e havia até mesmo perdido o começo do primeiro ato. Mas estava realmente lindo, até para mim, que odiava tanto balé. O lago dos Cisnes era a peça, e com suas impecáveis sapatilhas brancas, a minha Roxanne era quem dançava como como protagonista. Naquele instante, ela estava tão angelical assim como na primeira vez em que eu a havia visto. Um coque impecável em seu longo e liso cabelo castanho-médio, a maquiagem perolada ao redor de seus olhos castanho-escuros, o batom rosado em seus lábios em formato de coração, a sua pele pálida sem contraste com as vestes brancas idênticas às de Adelaide Giuri e uma coroa branca e prata; assim estava Roxanne. Em sua dança como cisne branco ela era extremamente gentil, ela era tímida e frágil, ela estava beirando o angelical. Era um anjo com asas falsas ao dançar, assim como era um anjo sem auréola na primeira vez em que nos encontramos. Só na primeira vez eu havia acreditado naquele rosto de boneca e naquele corpo de menina, só na primeira. Fim do primeiro ato. Agora, o cisne negro entrava e então reconheci não só por fora a presença de minha Roxanne. Vestida toda de preto, usava maquiagem forte em azul cor de céu noturno e um batom rosa-escuro, já não usava mais as sapatilhas brancas que eu lhe havia dado também. Dançava com maldade nos passos, com malícia em cada um dos seus movimentos. Estava feroz, decidida, intrépida e cruel. Sádica. Enfim, aquela era Roxanne; Roxanne, aquela bailarina que eu tinha como minha. Acabados os atos, fui vê-la em seu camarim. Rosas vermelho-escuros, cor de sangue velho assim como a sua alma. Depois que me viu escorada no portal, saiu correndo em minha direção e beijou-me sedenta manchando sua boca rosada com meu batom vermelho-claro, a cor do sangue corrente e também a cor que sua alma tinha antes de me conhecer, antes de se entregar à mim. Uma obrigação social ao seu lado e fomos embora, chegando em casa. Pulou em meu pescoço e nos despimos, como sempre, caimos na cama e ela pediu mais uma vez que eu fizesse o que sempre fazia. Se deixou ser minha, se deixou ser feita mulher pelas minhas mãos, se deixou provar o quanto era minha mulher, minha e somente minha. Me deixou fazê-la contorcer e gemer de prazer em minhas mãos, em minha boca, em minha intimidade. Me deixou tocar sua feminilidade com a minha e novamente, completar nosso pecado, nossa luxúria. Após a prova de nossa paixão, egoísta e física, nos levantamos e ficamos de pé observando a chuva na janela, era engraçado, chovia, mas ainda sim, a lua cheia estava linda iluminando todo nosso quarto. Deixei que entrelaçasse suas mãos nas minhas enquanto a abraçava por trás observando o reflexo de nossos corpos nus de mulher serem refletidos na janela. Beijou as minhas mãos e aconchegou seu corpo no meu, então vi refletido no vidro molhado os seus olhos fechando e seu sorrindo abrindo cada vez mais enquanto deitava para o lado sua cabeça.
- Gostei de sua dança como cisne branco - pausei roçando então o nariz em seu cabelo com cheiro de flores, agora solto - Não achei que conseguiria.
- Por quê? - perguntou sem se mover enquanto eu deitava a cabeça em seu ombro ignorando seu longo e liso cabelo roçando e arrepiando meus seios nus. Enquanto passava atrevidamente a língua por todo seu pescoço e tocava com a ponta do nariz em seu rosto pálido.
- É cisne negro demais para isso - sorri enquanto vi, em seu reflexo, que abria os olhos.
Virou o rosto e me beijou cheia de carinho e amor soltando-se de mim e indo cobrir sua nudez com um roupão de seda cor branca, sem fechá-lo. Trouxe meu roupão, que era idêntico, porém, preto. Vesti meu roupão enquanto fechava o seu, então, ela fechou o meu. Estava doce, estava gentil. Envolvi meus braços em sua cintura e ela então pousou uma mão em meu seio, e, com a outra mão, bagunçou meu curto e repicado cabelo com a ponta de um de seus dedos.
- Parece vermelho - disse olhando-me nos olhos negros.
- O que parece vermelho? - perguntei deduzindo que se referia ao meu batom.
- Seu cabelo - respondeu sorrindo - Ele parece vermelho.
- Porque é, oras - ri - Eu sou ruiva, Rox. Dorme comigo há dois anos e não sabia ainda?
- Não - riu baixo - Seu cabelo é ruivo, laranja. Só parece vermelho quando é noite e se banha com a luz do luar, só é vermelho quando está escuro e a lua se faz única luz.
- Aonde quer chegar? - perguntei com a sobrancelha franzida.
- Nem sempre o cisne negro precisa continuar negro sob a luz do luar - sorriu, parecia estranhamente angelical.
- Tem razão - eu estava de fato dormindo com um cisne cinza.
- A amo - proferiu aninhando sua cabeça em meus seios. Deitei-a na cama e me coloquei por cima lhe acariciando o rosto com a ponta dos dedos.
- Também a amo... - E a beijei tornando inútil que tivéssemos posto os roupões. Touché Roxanne. Touché.
- Gostei de sua dança como cisne branco - pausei roçando então o nariz em seu cabelo com cheiro de flores, agora solto - Não achei que conseguiria.
- Por quê? - perguntou sem se mover enquanto eu deitava a cabeça em seu ombro ignorando seu longo e liso cabelo roçando e arrepiando meus seios nus. Enquanto passava atrevidamente a língua por todo seu pescoço e tocava com a ponta do nariz em seu rosto pálido.
- É cisne negro demais para isso - sorri enquanto vi, em seu reflexo, que abria os olhos.
Virou o rosto e me beijou cheia de carinho e amor soltando-se de mim e indo cobrir sua nudez com um roupão de seda cor branca, sem fechá-lo. Trouxe meu roupão, que era idêntico, porém, preto. Vesti meu roupão enquanto fechava o seu, então, ela fechou o meu. Estava doce, estava gentil. Envolvi meus braços em sua cintura e ela então pousou uma mão em meu seio, e, com a outra mão, bagunçou meu curto e repicado cabelo com a ponta de um de seus dedos.
- Parece vermelho - disse olhando-me nos olhos negros.
- O que parece vermelho? - perguntei deduzindo que se referia ao meu batom.
- Seu cabelo - respondeu sorrindo - Ele parece vermelho.
- Porque é, oras - ri - Eu sou ruiva, Rox. Dorme comigo há dois anos e não sabia ainda?
- Não - riu baixo - Seu cabelo é ruivo, laranja. Só parece vermelho quando é noite e se banha com a luz do luar, só é vermelho quando está escuro e a lua se faz única luz.
- Aonde quer chegar? - perguntei com a sobrancelha franzida.
- Nem sempre o cisne negro precisa continuar negro sob a luz do luar - sorriu, parecia estranhamente angelical.
- Tem razão - eu estava de fato dormindo com um cisne cinza.
- A amo - proferiu aninhando sua cabeça em meus seios. Deitei-a na cama e me coloquei por cima lhe acariciando o rosto com a ponta dos dedos.
- Também a amo... - E a beijei tornando inútil que tivéssemos posto os roupões. Touché Roxanne. Touché.
19 de abril de 2011
One Night Stand
Você não tem nome, seu nome é “Minha”. Minha porque eu a tenho deitada no meu peito, Minha porque se encaixa perfeitamente no meu abraço, Minha porque confia em mim, Minha porque me prometeu ser para sempre só minha menina e me deixar ser só sua mulher. Só eu sei o sabor que seus lábios rosados têm, só eu sei o perfume que seu cabelo cor de breu possui, só eu conheço a maciez da sua pele alva, só eu sei como fazer seu corpo todo arrepiar, só eu consigo lhe arrancar tantos gemidos altos e gritos roucos, só eu posso tocá-la e sentir o gosto suave que do seu prazer. Você é Minha, você é só Minha. Sua voz tão doce, tão suave e tão melodiosa. Seu cheiro tão igualmente doce, sua timidez tão incrivelmente encantadora, seu jeito meigo, a sua delicadeza. Seu vestido é tão bonito, seu vestido fica tão bonito em você, mas só em você, e só porque é assim tão fácil de tirar, assim, só puxar o laço e logo ele cai mostrando em partes a beleza do seu corpo nu. Os seios assim envergonhados, a cintura assim fina. O meu também é fácil de tirar, e você logo o faz deixando a minha pele tingida com o sol e tão quente quanto ele tocar a sua fria com cor de lua. De poro em poro eu sinto sua pele inteira arrepiar, subindo crescentemente até sua nuca enquanto deita a cabeça para o lado fechando os olhos, olhos bonitos, olhos cor de mel, os mais bonitos que já vi. Mas era assim, eu Sol e você Lua, você era apenas um pequeno pedaço de rocha e eu te atraia com a gravidade, e você vinha sem recusa alguma, estava entregue. Um toque, mãos que desciam pelas sua cintura, quadris e coxas, mas subiam um pouco mais invadindo a lingerie de renda cor creme, mas subiam um pouco tirando a lingerie de renda cor creme. “Por que você é assim tão ingênua?” eu perguntei, ela não me respondeu, ela só continuou com os braços ao redor do meu pescoço. Os seus lábios rosados tocando os meus vermelhos, sua cintura em minhas mãos e o seu sorriso colado ao meu. “Por que você não me responde?” e perguntei de novo afastando nossos rostos, encarando seus olhos, e ela me sorriu sem responder, outra vez. Um toque, dedos que invadiam terrenos que não eram meus, mas ela não reclamou, ela não disse nada, apenas deitou-se na cama puxando-me para cima de ti. Gemidos altos, sussurros que eu não compreendi, suas unhas marcando minha pele nua, meu nome saindo de seus lábios e ecoando pelas paredes do quarto. Rolamos, sentamos, levantamos, deitamos e em meio à toda essa movimentação, caímos no tapete e paramos para observar o teto, ofegantes e suadas. A beijei, baguncei seu cabelo e ela nada fez. Só deitou a cabeça em meus seios, sorriu e fechou os olhos. "Por que você me deixa te fazer de boba assim Claire?" perguntei, "Porque eu sei que você também está se fazendo de boba achando que sou a única apaixonada aqui" me respondeu finalmente. Eu sorri, realmente, eu também estava sendo a boba ali. Vestiu-se, me vesti. Peguei as chaves do carro e lhe selei os lábios "Vai voltar?" perguntou enrolando com o dedo uma mecha de meu cabelo. Eu sorri, "Don't you know that you're nothin' more than one night stand?" respondi citando Joplin, lhe selei os lábios novamente e com um carinho em seu queixo sai. Quando pessoas inteligentes se apaixonam e sentem a conexão com outra pessoa, elas vão embora antes que algo aconteça. Algo como amor, a maior maldição do mundo.
15 de abril de 2011
The whole world just fades away
Eu estava ali tão calma sentada com meus pensamentos, caneta e papel, estava ali tão em paz com meu mundo louco quando vi seus olhos de tímida ave entrando naquela sala. Sapatilha de um cor-de-rosa beirando o bebê, anel e brincos de pérola, uma blusa branca da mesma cor caindo de um ombro, a calça de jeans claro. Seu corpo assim, carregado de volúpia, seu andar assim temeroso e cheio de medo, mas assim, gentil e com cara de menina bonita. Ela era uma menina bonita. Com seus longos cabelos negros, assim lisos e muito bem penteados; com seus olhos cor de pedra escura e marrom, cor de chão em dia de chuva; sua pele de porcelana, sua pele de copo de leite que floresce só uma vez ao ano com o perfume de mil flores de cerejeira abrindo em um campo de rosas. Você é assim adocicada como o mais lento veneno e a bebida mais leve, mas por ironia, tal bebida fraca e doce é a que mais me deixa zonza, que mais me tira os sentidos. Você é assim garota, você me deixa assim louca. Você é menina mulher, é deusa grega em terras tupis. Teu corpo nu na beira do mar, as flores brancas e penas no cabelo negro e comprido, que cabelo negro lindo, capaz de humilhar o céu estrelado com tanto brilho que tem. Esses teus olhos de dona do mundo, ofuscariam a beleza de mil jardins de rosas. Cada passo seu por mais embaraçado que seja, é o mais bonito. Sua pureza, sua ingenuidade, sua inocência e esse seu sorriso de criança me tiram suspiros de sabe-se lá aonde, você é dona do meu pensamento, patrona de meu coração e rainha de minh'alma e razão. Se fosse minha menina, seria a mais bela musa dos poemas que eu te escreveria e mulher alguma ouviria palavras tão bonitas quantos as que eu usaria de manhã cedo na cama para te acordar. Ah garota, me deixa ser sua mulher e eu te prometo que meus pensamentos serão só teus de hoje em diante.
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