28 de novembro de 2011
Ma fille ...
Sendo honesta? Até hoje eu não sei porque gosto tanto de você. Eu simplesmente gosto, sabe? Só gosto… Não sei se há uma explicação para isso e mesmo que exista uma, não sei se quero saber qual é. Tudo está bem assim. Eu gosto de você e entendo isso mesmo sem compreender as razões. Só gosto… Gosto do seu cabelo quando o vento o bagunça, gosto de te ver tentando arrumar antes que eu o veja desarrumado, gosto de como fica corada quando digo que fica ótima descabelada e gosto mais ainda do “idiota” risonho que diz fingindo estar brava. Gosto dos seus olhos castanhos me olhando, gosto do brilho que os meus pretos tem quando os vejo refletidos nos seus, gosto de como os seus brilham ao me ver, gosto de como sorri quando vê que os meus também brilham ao te ver, gosto de como só os seus olhos tem essa cor tão bonita. Gosto do seu nariz arrebitado de arrogância e cheio de ar de mandona, gosto de quando o enfia nos livros e só o tira de lá para retrucar minhas maluquices, gosto desses seus olhos querendo explicar algo aos meus que relutam recusando a explicação, gosto do seu nariz se torcendo em raiva por isso e acabo torcendo o meu nas risadas para seu contragosto, gosto quando se rende e começa a rir também das minhas loucuras. Gosto de como dorme, gosto de te ver dormir, gosto de como finge não saber que perco a noite te assistindo sonhar, gosto de como as estrelas vem todas para a janela se juntar a mim para observá-la mexer-se na cama acordando bem aos poucos, gosto de como o sol te chama e você volta pro mundo real, gosto de como me olha com cara de quem queria dormir mais, gosto das meias que você perde entre os lençóis durante a noite. Gosto de você. Gosto, só gosto…
1 de outubro de 2011
Sourires, larmes, douleur ...
Pegou a minha mão e tocou com ela o seu rosto, olhou-me fundo nos olhos e sorriu como quem havia estado infeliz por muito tempo e por um lapso de segundo eu achei que o era, mas por que era? Acariciei seu rosto e a vi cerrar seus olhos cor de terra como se estivesse em rendição, a bochecha morena tingir de rosa, os lábios já rosados morder. Minha tão querida amante... Minha tão triste mulher. Abraçava-me com tanta saudade que eu sequer acreditava que tal força herculana era mesmo dos seus magros braços, parecia não me ver há anos, parecida ter dado fim à uma longa espera que se havia estendido por milênios, entretanto, era uma pena que tal força só lhe fosse presente nos braços uma vez que suas pernas tremiam e falhavam, derrubando-a em meus braços trazendo-a para meu abraço. Ria feito louca e chorava como uma velha desesperada, não sabia se sorria também ou se me preocupava até ver tão genuíno sorriso estampado em seu rosto. Não sabia já há quanto tempo não a via sorrir com tanta sinceridade nos lábios, não sabia mais dizer quanto tempo fazia que eu não via tamanha simplicidade e pureza em um mero sorriso. Era tão verdadeiro que me arrancava um sorriso de igual felicidade e sinceridade, de tamanha felicidade e simples pureza, simples alegria. Meu coração saltava e podia ouvir o seu dançar junto do meu, ambos frenéticos, loucos, agitados, sedentos pelo outro. Era tão linda aquela alegria no seu sorriso e o brilho estampado nos seus olhos... Era tão bom saber que aquela alegria era por mim e que o tempo não a havia matado ainda, que eu ainda a fazia sorrir e que ela ainda era capaz de perdoar minha ausência aguardando-me cheia de mimos. Era tão bonito de ver como gostava dela e ela de mim... Mas ah, que tristeza. Acordei.
30 de setembro de 2011
Rosée
Me peguei pensando em você de novo. Pergunto-me o motivo dessa frequência em me lembrar de você. Eu não havia te esquecido? Bom, eu amo menos acreditei que o tivesse feito. Novamente, estou me lembrando de como foi nosso adeus e sabe, não foi um adeus, não foi sequer um "tchau" ou um "até mais". Foi só silêncio. Me pergunto todos os dias porque não quis me dizer adeus, mas porque não voltou também se não queria ter ido. Eu sei que o que encontrou não era o que queria e nem o que você quer agora. É vazio. É falso e é até mesmo feio. Talvez tenha sido infeliz comigo. Certo, não talvez, você foi infeliz comigo, mas o que quer dizer essa tal felicidade, não é? Eu te amava, eu te amo. E você sempre me amou de volta, talvez até mesmo mais do que eu te amei. Eu te machuquei, eu vejo isso agora, mas você não havia me machucado também? Eram gritos, brigas, ofensas e uma agressividade de tanta selvageria que a lembrança me assusta até hoje... Eu era um monstro, não era? Eu sei que era. Sei que ainda o sou. Um monstro, mas sabe? Acredito que é você quem me deixe assim. Você controla e enlouquece a minha mente como se eu não conseguisse mais pensar estando perto de você. É tanto ciúme, é tanto ódio, tanto tudo. Eu só quis o tempo todo te trazer perto, te colocar do meu lado e não deixar que mais ninguém visse o quão bonito era esse tesouro que eu tinha e no meu egoísmo, eu perdi você. Eu amo você. Eu sempre amei. E sempre amei só você. Cometi pequenos grandes erros, menti, traí, iludi, gritei, acho que até bati, mas posso dizer sem erro que ninguém nunca te amaria como eu amo você, como amei, como amarei. Não importa quanto tempo passe, quem apareça na minha vida, eu sei com certeza de que eu ainda me lembrarei do seu sorriso daqui há muitos anos, de cada motivo que você me deu para ficar feliz, de cada beijo e especialmente de cada lágrima enquanto me jurava o amor que eu já sabia ser real. Há dias em que sinto tanto sua falta que sinto que vou morrer de saudades, há dias em que você passa reto por mim e eu quero chorar, há dias em que me olha com aquele olhar de fúria e quero poder te abraçar e te pedir perdão e há os dias em que eu desejo acordar como costumava acordar no seu abraço no meio de uma manhã vazia, escondidas no quarto matando a aula. Há dias em que eu queria tanto que estivesse aqui que quero simplesmente morrer por não ter mais, por ter tido e ter te deixado ir sem nem mesmo ter tentado trazer de volta. Eu te amo, eu sempre amei, sempre irei amar. Eu não te esqueci, nunca esqueci e jamais esquecerei. Você não é simplesmente metade de mim, não é simplesmente a outra metade que me completa. Você é tudo.
15 de setembro de 2011
Ma chérie
"Quem é ela?" me perguntou um velho amigo, "Que faz ela?" perguntou-me o outro. Pensei e pensei, eu sabia a resposta, mas como simplificá-la? Ela é como um clarão no meio da noite, é como uma luz que brilha e entontece qualquer mente, é como um brilho cuja luz emanada te ofusca a visão, é como clareza que te cega ao ver. Durante o dia de sol, durante a noite escura, durante a manhã chuvosa, durante a tarde vermelha, você brilha, você inebria minha alma, povoa meus pensamentos, inspira minha escrita e não somente à ela, você inspira e fascina tudo aquilo que se faz presente em mim, desde o mais simples sorriso ou mais salgada lágrima até as mais profundas e complexas filosofias. Engraçado é como ela, de uma forma ou de outra, contradiz tudo que digo. Bonito, bonito é como tenta desarmar meus argumentos com seu pessimismo e desiste do mesmo em alguns instantes. Mal sabe que tremo só de pensar em seus contra argumentos, que sempre me paralisam e emudecem. Não sei ao certo o que é, se é ela, se é seu sorriso, se é o brilho dos seus olhos ou se é novamente o plano sentimental interferindo no físico. Mas quem é ela? Eu sempre acreditei que seu nome fosse esse, mas é aquele outro. Ah, brilho, como é lindo o seu brilho e sua luz. Sua presença desafia o tempo e o espaço, tudo desaparece com sua presença e o tempo voa na velocidade da luz, na sua ausência um dia se torna um século e o mundo parece pesado. Então, me perguntaram dela, me perguntaram quem era ela, quem era ela aquela que tanto me fazia sorrir. Eu lhes disse "Ela é criatura noturna. Ela é a contradição das minhas ideias e sou a contradição da mente dela. Ela é de quem gosto, e eu sou dela".
30 de agosto de 2011
Lait renversé
De poeira ele havia se sujado ao cair no chão e pela primeira vez não havia sido enxuto por pano sujo. Branco e doce, era o leite que a mulher amorosa havia preparado para os amorosos filhos e para o amoroso marido. Branco era a cor do ódio destilado dos que lhe seguravam a garganta agora. Doce era o que suas lágrimas não eram, e que grande ironia também eram, ela estava chorando sob o leite derramado pelas mãos brancas para as quais implorava pela sua vida. Branco era a cor de seu vestido rodado, comprado pelas mãos negras do seu amado esposo que a amava tanto, amado esposo que muito distante dali arrancava no chão uma flor branca para enfeitar os cabelos negros da amada esposa de bochechas cor de terra escura assim como os seus bonitos e brilhantes olhos, o amado esposo jamais havia deixado de vê-la como a coisa mais bonita que já havia visto na vida, o amado esposo desde a primeira vez que a vira sabia que a queria como sua amada esposa para toda sua vida. Branco também era a cor dos dentes expostos da amada esposa que agora gritava enquanto o ódio branco lhe tirava algo que antes era só de seu amado esposo, algo tão especial que a amada esposa havia decidido guardar e dar somente ao amado esposo desde a primeira vez que o havia visto colhendo algodão na fazenda de seu senhor. Naquele momento ela só conseguia pensar naqueles algodões brancos, por que o homem branco não era capaz de ser tão gentil como o algodão branco? Logo o amoroso marido chegava, mas que pena, as flores brancas ele deixou cair sujando-as de poeira. Os amorosos filhos também deixaram lágrimas caírem sobre elas assim como a amorosa mãe havia deixado sob o leite. Com os braços negros fortes, o amoroso marido pegou nos braços a esposa e a corda de seu pescoço tirou, deitou-a no chão e colocou as flores sujas em seu cabelo negro enquanto via sua casa de paredes brancas se tornar negra pelas mãos do fogo, fogo servo das mãos brancas regadas do ódio branco que matara sua esposa da cor de terra molhada.
26 de agosto de 2011
Disgracieux
Falava. Eu falava muito. Ela falava demais também, mas nada dizia. Só falava e falava. Falava palavras que mesmo com sentido não adquiriam nada. Era sempre concordância. Nada a completar e tampouco a adicionar. Não havia opinião forte nem fraca, era só opinião. Tudo o que eu dizia debatia sozinha, enfrentar-me ela não sabia, ela só concordava e mesmo em discordância, não teimava. Não tinha gosto de sal, mas também não tinha sabor doce. Nada de muito importante lhe era creditado, nada feito era motivado por força além da mecânica. Era tudo sempre a mesma coisa. Meus beijos sempre eram correspondidos, mas aonde estava a paixão? Ela me beijava e eu também a beijava, mas nada se sentia além do físico. Nada, era tudo maquinado e automático, tudo mecânico e sem fervor. Era linda, mas que graça ela tinha? Sua beleza era superior à de qualquer mortal, mas, novamente, que graça tinha nela? Era tão bonita e mesmo de traços incomuns, ela era comum. Não tinha sabor, não tinha fogo. Sempre era nude, nunca branco, nunca preto e nunca cinza, era só nude. Nada forte, nada destacado. Uma linda cor, mas uma cor tão neutra. Seu chá não era nem amargo e nem doce. Seus movimentos nem rápidos nem lentos. Eram só movimentos. Sua tristeza era a indiferença e seu amor também o era. Ela não tinha nada a acrescentar, era normal e não sabia falar mais do que uma garota normal sabe. Parecia adestrada e alienada. Muito comum. Muito robótica. Que é que ela tinha? Ela tinha gosto neutro, ela era neutra e agia neutro. Ela era como água. Insípida, incolor, inodora. Não tinha forma. Não tinha nada de mais. Ah, eu a amava, mas ela era tão sem graça. Eu a amava, mas perto dela eu era mais vermelho que comum e perto de mim ela era nude demais.
20 de agosto de 2011
Those electric eyes
Bonito era o nascer-do-sol batendo na janela do nosso quarto ultrapassando as cortinas negras, fazendo o corpo pálido de Roxanne esconder-se debaixo das cobertas; vinha sempre junto do vento gelado das manhãs que fazia agora minha branca encolher-se. Cheiro de orvalho, cheiro de grama molhada e cheiro de azul índigo. Seu nariz, arrebitado, beijei e levantei por fim. Uma regata preta combinando com a lingerie de poliéster preta, abri então toda a casa e deixei a manhã tomar conta dela. Baguncei meu cobre cabelo, o nariz torci e por fim bocejei. Coloquei a água pra ferver, fatiei o pão e sobre a mesa a manteiga coloquei. Feito o café, escutei mimosos passos de minha pequena, esquentei então o seu leite, feito isso, servi em sua xícara branca internamente preta que combinava exatamente com a minha preta de interior branco e carregando café preto. Bonitos eram os olhos da minha menina. Eram brilhantes, eram hipnóticos. Eram doces, eram gentis. Sentou-se, a camisola branca de renda contrastava bem com o cabelo castanho-escuro que agora refletia o sol, então, pegou a xícara e sem dizer uma palavra sequer, tingiu o liquido branco e quente com pegajoso âmbar para adoçar ainda mais a bebida já doce. Mas, ah! Os seus olhos! Olhos tão dela, olhos tão meus. São olhos seus, são faróis meus. A canela lancei no café puro, preto continuou, amargo continuou. É mel dela, é café meu. São os seus olhos castanhos, são os meus negros. É o mel dela, é o café meu. É seu beijo adoçando meu amargo, é meu amargo tirando o doce dos seus finos lábios rosados. Bonito mesmo era a forma como ela me completava e me deixava fazer o mesmo.
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