21 de julho de 2010

Quando me perguntam

“O amor é. Ele simplesmente É! Não podem fazê-lo desaparecer, é a razão de estarmos aqui. É o topo da vida. E, quando você chega ao topo e olha para todos lá em baixo está preso nele para sempre, pois se tentar mover-se, você cai você cai...”.
(Assunto de Meninas.)

12 de julho de 2010

O Choro Lupino

Estava tudo coberto de neve, havia lobos em toda parte ao meu redor, não podia vê-los, mas podia sentí-los me observando com aqueles olhos perfeitamente dourados. Eu sentia tanto frio, mas não me importava, meus pés descalços não faziam a menor diferença. Ao correr podia sentir os galhos arranhando e rasgando minha pele, me cortando. Quanto mais rápido eu corria, mais rápido eles vinham atrás de mim, uivavam tão alto e de forma tão sombria que pareciam um só grito. O som de água corrente me assustou e me confundiu, como podia existir água sem que ela se tornasse gelo em meio ao frio extremo? Deslizei pelas pedras caindo na água e lá estavam eles atrás de mim, me senti quase cair em meio aquela água fria, mas simplesmente me virei para trás. Aquele vento forte e cortante me passando pelo rosto e cabelo, foi então que encontrei um sorriso em meio a toda aquela escuridão. Os uivos pareciam se tornar choros agora, lágrimas desciam pelo meu rosto e eles pareciam compartilhar a dor que eu estava sentindo. Medo, solidão, tristeza, uma vontade de cair e me deixar levar por aquelas águas... Aqueles olhos quase prateados pareciam os de uma fera tão cruel quanto a própria noite, mas aquele sorriso doce e aquela mão estendida em minha direção me deixaram confusa. As lágrimas corriam e lá eu estava observando aquela figura pálida sob a luz da lua, imóvel. Eu deveria ou não ir com ela? Era só um sonho, ou um sinal? Queria conseguir continuar correndo.

7 de julho de 2010

Do papiro para o blog

Sabe, analisando minha infância, acabo de constatar que toda garota já teve um diário, nem que seja um daqueles diários pequenininhos da Barbie comprados no "1 real", ou uma matéria separada no caderno aonde eventualmente escreve suas maluquices e loucuras, loucuras das quais ninguém pode nem mesmo saber, sentimentos que todos são proibidos de ler. Geralmente são coisinhas bobas, às vezes só comentários como "minha aula foi um tédio hoje" ou "ai ai, como a fulana estava bonita hoje", mas vamos admitir que ler o diário de alguém é uma das maiores realizações do ser humano, o animal mais curioso e "xereta" da história. Infelizmente, todo mundo cresce e acaba ganhando um bendito computador (a razão de todos os meus vicios e o motivo das minhas noites mal dormidas de sábado), larga o diário em um lixinho e acaba criando um blog, aonde compartilha cada gotinha de pensamento e sentimento que guarda dentro de si. E se posso dizer, os diários são a maneira mais "divertida" de se conhecer as pessoas usando de uma leitura agradável. Agora, parando de enrolar um pouco, divulgo o blog da minha anja sem asas: http://likewannabee.blogspot.com/ o "Mundo de Ilusões". Tá no começo, mas ainda sim promete leituras agradáveis e bons links para quem curte fanfics dos mais diversos "contos da carocinha". Afinal, é uma delicia ler o diário dos outros.

5 de junho de 2010

Mergulho fundo

É irônico como o lugar favorito de uma fã da cidade não passa de um pedacinho de grama no meio do nada. O céu mais lindo que já viu, o mais estrelado e o mais azul. A grama mais viva a macia, os sons mais calmos e mais ritmados que já escutou. Aquelas águas violentas que conseguem compor a música mais bem composta do mundo, aquela cor incrível. Olhos de fera que são os mesmos olhos da mãe carinhosa. A solidão que é não estar sozinho hora alguma. Liberdade, serenidade. Celulares, secadores, televiões, jornais, problemas, tudo isso vai indo embora simplesmente, como uma roupa que se tira do corpo violentamente. O corpo cansado dá espaço pra mente aberta e descançada, tudo que era doente agora se cura em questões de segundos. Sente-se mais em casa ali do que em qualquer lugar, é o seu pedaço de paraíso entre água e montanhas, é o tocar do orvalho sobre seu rosto na manhã fria. É a barraca molhada que esfria e aquece, é a risada dos pássaros que te acorda, é o sol mais bonito que você já viu indo e voltando também. É a maior e mais brilhante lua, são as mais belas estrelas do céu. Música boa, vista linda, calma... Paz, finalmente.

1 de junho de 2010

Prisioneira

A verdade é que deixei isso aqui por não saber mais o que escrever, por não conseguir mais fazer nada. Hoje simplesmente busco como refúgio meus desenhos e meu caderno de textos. Ultimamente nada anda fazendo sentido, me sinto fraca, a vontade é algo que me falta, o escuro se tornou bom por não me mostrar a realidade, a luz me assusta. O silêncio não incomoda, mas sim a não existência de voz alguma, eu não me escuto mais, eu não escuto mais ninguém, eu não me reconheço aqui mais. Eu falo e faço, mas sinto como se tivesse outra pessoa dentro de mim me manipulando, sou eu e ao mesmo tempo não sou. Aquela pessoa no espelho, repentinamente me parece tão mais feia, mais gorda, mais suja, mais estranha, não sou eu. Nada mais consegue fazer algum sentido e eu pareço viver em um mundo paralelo ao real, aonde existem somente fantasias que eu mesma criei pra fugir de mim mesma. As pessoas riem, me chamam de louca e eu nem me importo mais. Eu não sou louca... Mas não me sinto sã. Eu estou em vazio completo. Do inglês, tiro o termo "hiatus", que significa vala, fenda, brecha e até mesmo vazio. Sonhava tão alto, agora o baque da realidade é mais do que eu posso suportar de mim. O frio nem faz diferença mais, poderia morrer de hipotermia sem me preocupar com nada. A dor não é nada quando me machuco, é bom, é gostoso sentir aquela coisa vermelha escorrendo, saboroso quase. Tudo se tornou cinza, não existe mais cor alguma em minha vida, só há uma, mas ela sempre se coloca fugindo de mim. O vento é meu melhor amigo, nem o relaciono com Wind mais, ela não é nada. O céu não faz diferença mais, é sempre escuro, sempre nublado e sem estrelas. Me deito para ver a lua às 20:00pm, às 6:20am me dou conta que o tempo passou e ainda acho que são 01:00pm somente. O termometro marca 13ºC, eu estou sem agasalho nenhum, só com um cobertor fino por cima. Me levanto sem vontade e tomo banho de água fria no escuro, seco o cabelo de qualquer jeito e saio de toalha pela casa molhando o chão limpo. Entro em meu quarto abafado, me visto de qualquer maneira e me olho no espelho. Tantas olheiras, olhos tão escuros e vazios... O cabelo outrora vivo e sedoso agora é ralo, seboso, sem cor ou vida; minha pele se tornou pálida, cinzenta, pegajosa;  os braços que antes erguiam televisões 29' sozinhos, agora não erguem um som de 3kg. A mais aplicada aluna agora não escuta nada, não consegue se concentrar ou pensar em nada, nem decorar nada. Vaidade, estudos são nulos. Não me lembro de mais nada, só de chorar no escuro e ter pesadelos. Queria, sinceramente, morrer para fazer isso parar, pois se não o parar, vou acabar me matando aos poucos sem ver como já faço.

25 de maio de 2010

O tal do amor...

Já teve a sensação de que algo está faltando em você? Como um vazio enorme que se torna completamente impossível de completar? Um rabisco feito à lápis que mesmo quando é apagado continua ali? Acho que nunca senti meu coração batendo tão lentamente. Nunca senti tanta dor quando respiro, tamanha agonia ao abrir os olhos, é como se eu tivesse uma pedra enorme no peito. Eu passo todas as noites em claro agora, e quando vejo o sol nascer sinto que o tempo não passou realmente, é aí que me levanto de minha cama e vou tomar banho. O frio não me incomoda, a água gelada logo cedo também não. Me enxugo e me visto sem nenhuma vontade de parecer "bem", limpa ou até mesmo bonita. Amarro o cabelo de qualquer jeito para evitar ter que penteá-lo, jogo minhas coisas dentro da bolsa desorganizada, pego as chaves e me arrasto até a escola. Chego lá e me obrigo a sorrir para todos que comigo vem falar, me forço a rir e responder "estou ótima e você?" quando me perguntam como estou. Estou cercada de amigos que se importam, que me fazem rir, entretanto, eu não consigo deixar de me sentir sozinha. Passo os três primeiros horários praticamente dormindo, eu estou lá olhando para frente e em silêncio, resolvo os exercícios pedidos, sorrio com as piadas sem graça que os professores fazem, mas não presto atenção alguma. Tudo é branco e preto; branco, preto e cinza somente. Aí chega o intervalo, todas aquelas pessoas parecem sumir e dar passagem somente à ela com aqueles olhos tão estupidamente castanhos e brilhantes, aquele sorriso timido e gentil, aqueles passos calmos e delicados, aquele cheiro suave quem mesmo distante invade meu nariz. É quando seus olhos batem nos meus, é irônico como só ela possuí uma cor em toda aquela multidão, como todos viram vultos e giram ao seu redor desaparecendo, deixando que somente nós duas existamos naquela pequena fração de segundos aonde nossos olhos se encontram. Então ela sorri simpática ao me ver e se vai, é aí que tudo volta ao pesadelo real que era antes... Eu diria algo se pudesse, entretanto, tenho medo de perder seu sorriso, medo de perdê-la de vez, medo de me arriscar. Medo dela.

4 de maio de 2010

"hoje contei pras paredes..."

Conhecida e clichê, "Amor I love you" de Marisa Monte. Já notou que por mais que amemos alguém que nos machuca, continuamos amando essa pessoa e querendo o seu bem? Algumas vezes até mesmo o seu regresso se torna uma vontade maluca em nossa alma, uma necessidade e uma fantasia doentia que muitas vezes não possui base alguma. Às vezes queremos pensar que aquela pessoa que tanto nos magoa é uma perfeita canalha, que ela simplesmente não vale nada e que estamos melhor sem ela. Mas é aí que acordamos. Você vê que ama aquela garota, você vê que ela é o motivo de você estar caminhando todos os dias. Você finalmente enxerga que se você a ama algo deve ter visto e ela não pode ser tão ruim assim quanto você pensa que ela é. Consegue ver que o que importa não é o "estar ali do lado", não é aquela paixão louca de bagunçar e arrancar os lençóis de uma cama. O que é realmente importante é ter aquela pessoa mesmo que tudo te separe dela, aliás, nem sequer tê-la, o simples saber que ela está bem já enche seu coração de alegria. Você nota que se ela está com outra pessoa é porquê você não a fazia feliz mais, então você finalmente consegue sorrir, mesmo que chorando, e se sente completa por ver que aquela pessoa que você ama achou alguém que consegue fazê-la mais feliz do que você. Não é algo que se entenda, nem algo que se aceite de primeira, mas é algo preciso. Dizemos coisas horríveis, trocamos ofensas e gritamos alto até mesmo com pessoas que não tem nada a ver com tudo aquilo, mas vemos o erro. Não é imaturidade tentar lutar por um amor, mas é imaturidade não conseguir ir embora. O mar admite que toda aquela revolta não adianta em nada, então finalmente se acalma e sorri olhando para o céu, o céu pode estar ali com a lua agora, mas ainda sim deixou suas estrelas enfeitando sua areia branca. É hora de fazer as malas e ir embora. Admite-se a saudade, mas para que chorar? Ela ficava tão linda sorrindo. Então você vai embora, talvez volte de saudade implorando por uma chance, pedido ignorado, mas de que importa? Não seria você se não tentasse. Novamente me entrego ao clichê e cito a famosa frase "Amo a liberdade, por isso tudo que possuo deixo livre, se voltarem é porquê as conquistei, se não, é porquê nunca as possuí".